A disputa eleitoral de 2026 chega ao domingo com um diagnóstico que, segundo análise publicada, não depende do resultado das urnas. O texto sustenta que as pesquisas brasileiras erraram na mesma direção em três eleições seguidas. Em 2022, os institutos davam 14 pontos de vantagem a Lula na véspera do primeiro turno, mas a diferença real foi de 5,23. Bolsonaro apareceu 4,4 pontos acima das estimativas. Neste primeiro turno de 2026, as nove pesquisas nacionais da reta final subestimaram Flávio Bolsonaro, com erro médio de 3,08 pontos.
O autor classifica o fenômeno como vício de método, não como fraude. Os institutos corrigem amostra e ponderam escolaridade e renda, mas não alcançam um eleitor que não responde a pesquisador por telefone. Esse eleitor, diz o texto, é uma fatia grande e crescente do país e vota. Quando faltam três pontos na conta e a disputa está tecnicamente empatada, três pontos definem a eleição.
A análise afirma que termina um método de governar baseado na ideia de que gastar é o mesmo que resolver. O Brasil investe 16,5% do PIB, uma das menores taxas do G20, e paga cerca de 88 bilhões de reais de juros em um único mês. No mesmo período, transfere 13 bilhões ao Bolsa Família. O texto critica o tratamento da despesa com juros como fatalidade e da despesa com gente como escolha, prática que chama de responsabilidade fiscal.
Na educação, o texto aponta contradição: o país gasta 4,5% do PIB, mais que a média dos países ricos, mas três em cada quatro jovens de quinze anos não resolvem problema matemático elementar, segundo o PISA divulgado em setembro. O Brasil tem mais professor por aluno que a média da OCDE e quase universalização da matrícula, sem aprendizado correspondente. Entre 2015 e 2025, o desempenho do aluno favorecido subiu e o do desfavorecido ficou parado, ampliando a distância entre os dois grupos.
O texto também defende que dezenove milhões de famílias recebendo transferência é um quarto das casas brasileiras e que nenhuma família escolhe depender. O programa nasceu como ponte, com contrapartida de escola e vacina, e virou endereço final quando a porta de saída deixou de existir. A correção proposta envolve decaimento do benefício conforme a renda sobe, prazo e contrapartida de qualificação para quem está em idade ativa. O texto cita ainda que, onde o Estado montou máquina com meta, avaliação e consequência, o Ideb dos anos iniciais subiu de 3,8 para 6,3 ao longo de dezoito anos, enquanto o ensino médio está em 4,5, abaixo da meta prevista para 2017.



