O Brasil alcançou a primeira posição no Índice Global de Adoção de Criptomoedas de 2026, elaborado pela Chainalysis. O levantamento, publicado em setembro, coloca o país à frente de Estados Unidos e Nigéria e estima a economia cripto brasileira em US$ 252,5 bilhões entre julho de 2025 e junho de 2026. O resultado sucede a quinta colocação obtida na edição de 2025.
A Chainalysis reformulou a metodologia em 2026, o que exige cautela na comparação. O novo índice considera fluxos de serviços, transações domésticas entre pessoas, transferências internacionais e saldos mantidos em blockchain. Por isso, a mudança de posição não deve ser interpretada isoladamente como medida de crescimento do mercado. Na edição atual, o Brasil aparece em segundo lugar nos fluxos internacionais, terceiro nos fluxos de serviços e nas operações domésticas entre pessoas, e quarto nos saldos em blockchain.
Segundo a Receita Federal, aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos foi declarado entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão, equivalente a 71,7%, correspondeu a stablecoins. Em 2025, esses ativos representaram aproximadamente 80% do volume declarado. A Tether, emissora do USDT, respondeu por 88,7% do volume declarado em stablecoins no período analisado. Na sequência, ficaram a USD Coin, com 7,1%, e a Brazilian Digital Token, vinculada ao real, com 3,4%.
Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, a expansão deve ser analisada também pelas aplicações dos ativos digitais. "O Brasil já ocupa uma posição de destaque no cenário global da criptoeconomia, mas os números mostram que o mercado está amadurecendo muito além da especulação. O crescimento das stablecoins revela uma demanda crescente por soluções voltadas a pagamentos, proteção cambial e transferências internacionais", afirma. Ele também destaca que a educação financeira precisa acompanhar o acesso à tecnologia. "A criptoeconomia tem potencial para democratizar o acesso aos serviços financeiros, mas inclusão não significa apenas disponibilizar tecnologia. É preciso garantir que as pessoas compreendam os riscos, saibam utilizar essas ferramentas com segurança e tenham acesso a informações claras para tomar decisões conscientes", acrescenta.
Pedro Torres, head jurídico da OnilX, ressalta a importância de critérios verificáveis para avaliar os participantes do mercado. "A confiança não decorre da simples existência da norma, mas da transformação de princípios em obrigações objetivas, verificáveis e sujeitas à fiscalização", afirma Torres. Pereira conclui que a regulamentação é um passo importante para fortalecer a confiança, mas não substitui o conhecimento do investidor. "Entender como funcionam os ativos digitais, conhecer os riscos envolvidos e adotar boas práticas de segurança continuam sendo fatores indispensáveis para que a criptoeconomia contribua efetivamente para uma inclusão financeira sustentável", finaliza.




