A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltou a importância do papel do povo na democracia, afirmando que "está em nossas mãos a democracia, não está nos palácios, não está nos gabinetes". A declaração foi feita durante o lançamento de seu livro intitulado "Pela mão do povo — Democracia e voto no Brasil", publicado pela editora Bazar do Tempo. O evento ocorreu nesta quinta-feira (23) na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty.
A obra, coautorada pela cientista política Heloisa Starling e organizada pela historiadora Nayara Henriques Pinto, analisa a trajetória da democracia brasileira, enfocando as eleições, as leis e o papel dos eleitores. A ministra também participará, nesta sexta-feira (24), da 10ª mesa do programa principal da Flip, onde discutirá o tema "Estado de sítio, estado de sido, estase", às 13h30, com transmissão ao vivo pelo telão do Palco da Praça e pelo YouTube da Flip.
Com as eleições se aproximando, Cármen Lúcia enfatizou a necessidade de valorização do direito ao voto, destacando que esse é um dos muitos modos de exercer a democracia. Ela alertou que a participação cidadã não se limita ao dia da eleição. "Nem se imagine que o único dia que nós, sociedade, somos soberanos como povo, seja o dia da eleição. Todos os dias nós podemos fazer alguma coisa", afirmou a ministra.
Durante o evento, a ministra foi questionada sobre as contestações acerca da integridade das urnas eletrônicas. Ela garantiu que as urnas passam por auditorias constantes e que, até o momento, não houve evidências de falhas ou erros. "Eu não acredito mais que alguém em sã consciência tenha dúvida sobre a urna", declarou Cármen Lúcia, que possui experiência como presidente do Tribunal Superior Eleitoral em duas ocasiões.
A ministra reforçou que a maioria da população já aceitou o sistema de votação eletrônica, afirmando: "Eu sou cidadã brasileira, servidora pública brasileira e, principalmente, eu voto. Tenho, portanto, absoluta certeza da segurança, da higidez e da transparência do processo eleitoral com a urna eletrônica".
Cármen Lúcia também abordou a relação entre arte e democracia, afirmando que a arte é um espaço essencial de transgressão e que a verdadeira democracia não pode existir sem cultura. "Sem arte e cultura não se tem democracia", enfatizou, utilizando a metáfora da construção de uma casa, onde o povo representa a fundação da democracia. "Democracia não é regime político só, nunca foi. Democracia é uma forma de viver com espaços de liberdade assegurada a todos", concluiu.




