Consumo de Frutas Pode Proteger a Saúde Pulmonar de Mulheres, Aponta Estudo

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Um novo estudo sugere que o aumento no consumo de frutas pode desempenhar um papel significativo na proteção dos pulmões contra os impactos da poluição do ar, especialmente entre as mulheres. A pesquisa foi apresentada durante o Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, realizado em Amsterdã, na Holanda, e aponta uma conexão direta entre uma dieta saudável e a redução dos danos respiratórios causados por poluentes.

A ginecologista Ana Paula Fabricio, que possui especialização em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), explicou que o estudo analisou dados de cerca de 200 mil participantes do UK Biobank. O foco foi comparar os hábitos alimentares, que incluíam a ingestão de frutas, vegetais e grãos integrais, com a função pulmonar, medida pelo volume de ar expirado em um segundo, e a exposição a partículas finas (PM2.5).

O oncologista Professor Dr Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, destacou que substâncias nocivas presentes na atmosfera, originadas de atividades humanas como indústria e transporte, podem causar danos celulares e até gerar câncer. Ele enfatizou a seriedade da situação, comparando a poluição do ar ao tabaco, embora seja mais difícil evitar a inalação de ar poluído.

Os dados coletados revelaram que as mulheres que ingeriam quatro ou mais porções diárias de frutas apresentaram uma menor redução na função pulmonar quando expostas à poluição, em comparação com aquelas que consumiam menos frutas. Ana Paula Fabricio atribui essa proteção à presença de compostos antioxidantes e anti-inflamatórios nas frutas, que ajudam a combater o estresse oxidativo resultante das partículas finas.

Além disso, a pesquisa indicou que, de maneira geral, os homens relataram um consumo inferior de frutas, o que pode explicar a maior proteção observada nas mulheres. Apesar dos benefícios associados a uma dieta rica em frutas, Ana Paula Fabricio alerta que a responsabilidade pela saúde não deve recair exclusivamente sobre os indivíduos, uma vez que as escolhas alimentares podem ser limitadas por questões econômicas. Ela reforça que os governos têm a obrigação de implementar políticas ambientais que visem a redução da poluição ao mínimo possível, já que não existem níveis seguros de exposição.