A configuração das residências brasileiras passou por mudanças significativas na última década. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, realizada pelo IBGE, mostram que o número de pessoas vivendo sozinhas no Brasil mais que dobrou em um período de 13 anos. Se em 2012 o país contava com 7,5 milhões de domicílios unipessoais, em 2023 esse total superou a marca de 15 milhões.
Atualmente, 19,5% das residências brasileiras, ou uma a cada cinco, são habitadas por apenas uma pessoa. Essa tendência reflete transformações socioculturais e econômicas, apresentando diferentes perfis entre os gêneros. O repórter Eduardo Carvalho aponta que, na maioria dos casos, os homens que vivem sozinhos estão na faixa etária de 30 a 59 anos, enquanto as mulheres predominam entre as que têm mais de 60 anos.
William Kratochwill, analista da PNAD Contínua, observa que o aumento dos lares unipessoais entre homens está frequentemente ligado a fatores como a busca por emprego fora de suas cidades de origem e o crescimento do número de divórcios. Após separações, é comum que homens deixem o lar anterior, enquanto muitas mulheres, especialmente as que têm filhos, permanecem na residência familiar.
No caso do público feminino, morar sozinha está frequentemente associado a mudanças na vida na maturidade. O levantamento indica que muitas mulheres acima dos 60 anos começam a viver sós após a morte do cônjuge ou quando os filhos formam suas próprias famílias e saem de casa.
Para os brasileiros que escolhem ou se veem obrigados a viver sozinhos, a autonomia é um dos principais benefícios destacados. Elias Santos, que anteriormente dividiu uma república com 25 pessoas, menciona que a tranquilidade de cuidar das tarefas domésticas e realizar atividades de acordo com suas preferências compensa a falta de companhia.
Esse sentimento é compartilhado por Tatiana Haubert, aposentada que vive sozinha há mais de dez anos desde que seu filho se mudou para o exterior. Ela destaca a liberdade de aproveitar momentos de lazer, como a leitura e a escuta de música, sem interrupções. O crescimento desses lares reflete uma sociedade que valoriza cada vez mais a independência individual e se adapta a novas configurações familiares e profissionais.





