A decisão dos Estados Unidos de implementar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que começará a vigorar na próxima semana, trouxe à tona críticas do governo americano em relação ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. A Casa Branca considera o funcionamento do Pix uma das principais justificativas para essa nova medida econômica. Curiosamente, apesar das críticas, os EUA utilizam tecnologias similares em seus próprios sistemas de pagamento, embora sob modelos diferentes.
Nos Estados Unidos, o aplicativo Zelle se destaca como uma opção de pagamentos instantâneos, com mais de 150 milhões de contas registradas. A principal diferença entre Zelle e o Pix reside na propriedade do sistema: enquanto o Pix é operado pelo Banco Central do Brasil, o Zelle pertence a bancos e empresas privadas, sendo focado principalmente em transferências entre pessoas e mantendo o cartão de crédito como o principal meio para compras.
Em 2023, o Banco Central norte-americano lançou o FedNow, um sistema para facilitar pagamentos instantâneos. Contudo, a adesão das instituições financeiras ao FedNow é opcional, o que resulta em uma implementação mais lenta e gradual em comparação com a rápida adoção do Pix no Brasil.
Enquanto os EUA criticam o modelo brasileiro, a Europa avança na criação do Euro Digital, um projeto que deve ser testado em um piloto a partir do próximo ano. O Euro Digital será totalmente gratuito e visa reduzir a dependência de provedores de pagamentos americanos.
O sucesso do Pix é evidente, com mais de 200 milhões de pessoas físicas e 20 milhões de empresas cadastradas. Esse sistema revolucionou o mercado ao permitir transações diretas entre instituições financeiras, eliminando as taxas tradicionais associadas ao uso de cartões de crédito e débito, que envolvem diversos intermediários. No entanto, o governo dos EUA argumenta que o Pix prejudica empresas como Visa e Mastercard, configurando uma concorrência desleal, visto que o sistema é operado e regulado pelo Banco Central do Brasil.





