FAEP pede a Ratinho Junior Fundo Estadual para socorrer agro após desastres climáticos

Compartilhe

O Sistema FAEP encaminhou nesta sexta-feira (6) um ofício ao governador Carlos Massa Ratinho Junior com a proposta de criação de um Fundo Estadual de catástrofe destinado ao setor agropecuário. A medida visa permitir que agricultores e pecuaristas reconstruam estruturas e benfeitorias e readquiram insumos e maquinários danificados por temporais, vendavais, granizo e tornados.

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a proposta responde a uma realidade que não pode mais ser tratada como exceção. Ele afirma que o produtor rural trabalha a céu aberto e não tem como se proteger de um tornado ou de temporais como os registrados recentemente em todo o Paraná. Meneguette defende que um fundo estruturado, com recursos garantidos, é o caminho para que a ajuda chegue sem burocracia.

Dados da Defesa Civil do Estado apontam que, somente nos seis primeiros dias deste mês de novembro, foram registradas 94 ocorrências de desastres climáticos em 87 municípios, gerando R$ 38,4 milhões em prejuízos e afetando mais de 30 mil pessoas. No campo, produtores acumulam perdas médias de 25% de produtividade nos cultivos de inverno, além da necessidade de replantio de lavouras levadas por enxurradas e granizo e de perdas de investimentos em infraestrutura e maquinários. O ofício alerta que os R$ 14 bilhões em saldo problemático do crédito rural contratado no Paraná devem crescer de forma expressiva nos próximos meses.

Em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, choveu mais de 200 milímetros em menos de 24 horas entre os dias 4 e 5 de novembro. O presidente do Sindicato Rural local, Marcos Minghini Loureiro, relata rompimento de curvas de nível, erosão, milho morto por encharcamento e estradas rurais prejudicadas. Uma ponte estadual entre Ribeirão Claro e Carlópolis está interditada, e o município chegou a ficar isolado. Minghini defende apoio do Estado na recuperação das estradas e afirma que a criação do fundo é fundamental para a reconstrução do meio rural.

Em Santo Antônio da Platina, também no Norte Pioneiro, o presidente do Sindicato Rural, José Afonso Júnior, relata erosão, desbarrancamento de estradas e dificuldades no plantio da soja. No bairro rural de Água Branca, a água cobriu a ponte da estrada rural e deixou famílias praticamente ilhadas. Ele avalia que um fundo emergencial agilizaria o apoio, pois a dependência de licitação e burocracia atrasa a liberação dos recursos. No Norte Central, o presidente do Sindicato Rural de Astorga, Júlio Toshimitsu, descreve estragos do vendaval do dia 2 de novembro, com barracões destruídos e lavouras de soja danificadas, muitas áreas terão de ser replantadas.