Laura Cardoso reflete sobre a morte e revela desejo em entrevista

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A atriz Laura Cardoso, reconhecida como uma das maiores figuras da dramaturgia brasileira, faleceu na última segunda-feira (17), aos 98 anos. A confirmação de seu falecimento foi feita por meio de uma publicação em suas redes sociais. O bisneto da artista, Fernando Faria, informou que Laura morreu em casa, de causas naturais.

Em uma entrevista realizada em 2014 para o programa Provocações, da TV Cultura, apresentado por Antônio Abujamra, Laura compartilhou como gostaria de morrer. Ela afirmou que seu desejo era partir dormindo, enfatizando que essa seria uma forma 'santa' de deixar a vida. A declaração reflete sua visão sobre a morte e a importância da tranquilidade nesse momento.

Laura Cardoso, nascida Laurinda de Jesus Balleroni, começou sua carreira artística aos 15 anos, atuando em radionovelas. Fez sua estreia na televisão em 1952, aos 25 anos, na TV Tupi, onde se destacou em teleteatro, que era uma forma de adaptação de peças teatrais para a TV. Sua primeira novela foi "Tribunal do Coração", e ao longo da década de 1960, Laura atuou em vários programas, incluindo "TV de Vanguarda" e "O Grande Teatro Tupi".

Após sua passagem pela TV Tupi, Laura Cardoso trabalhou na Band, onde foi uma das protagonistas de "Os Miseráveis", em 1967. Posteriormente, retornou à Tupi para participar da primeira novela bíblica do Brasil, "O Rouxinol de Galiléia", no papel de Maria, mãe de Jesus Cristo. Também atuou na Record em produções como "A Última Testemunha" e "Algemas de Ouro".

Nos anos 70, Laura se consolidou como uma figura recorrente nas novelas, participando de pelo menos 10 produções e conquistando o prêmio APCA de Melhor Atriz de Televisão por "Os Apóstolos de Judas". Ao longo de sua carreira, trabalhou em mais de 60 novelas, deixando sua marca em obras como "Fera Radical", "Rainha da Sucata" e "Mulheres de Areia", onde interpretou Isaura, mãe das personagens Ruth e Raquel.

Entre 2000 e 2010, Laura Cardoso continuou a brilhar na teledramaturgia brasileira, acumulando prêmios e indicações por suas atuações no teatro, cinema e televisão. Sua trajetória foi reconhecida com cinco troféus APCA e o prêmio Oscarito, concedido no Festival de Gramado, além da Ordem do Mérito Cultural, recebida das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.