Candidato de Paranavaí construiu audiência estadual sem estrutura tradicional e lança série documental sobre a velha política. Analistas veem no modelo a repetição do fenômeno que elegeu o deputado mais votado do país em 2022.
Há uma comparação que começou em conversa de bastidor, migrou para os grupos de WhatsApp da política paranaense e agora aparece na boca de quem analisa a eleição do estado profissionalmente: Lucas Barone (PSD), candidato a deputado federal pelo Paraná, é o nome que mais se aproxima, no Paraná de 2026, do fenômeno que Nikolas Ferreira representou em Minas Gerais em 2022.
A comparação não é sobre voto. Ninguém arrisca número a esta altura. É sobre modelo, sobre o tipo de candidatura que se constrói fora do circuito tradicional da política: sem tempo de televisão relevante, sem estrutura de máquina, sem o palanque das lideranças consolidadas, e com a internet fazendo o trabalho que historicamente coube ao cabo eleitoral, ao comício e ao santinho.
“O que o Lucas Barone faz no Paraná é um movimento próximo ao de que o Nikolas Ferreira fez em Minas em 2022. Ele não disputa a política pelos canais tradicionais: constrói audiência própria e chega ao eleitor sem intermediário, sem depender de quem controla o palanque e o horário eleitoral”, afirma o cientista político Tiago Valenciano.
“Isso muda o custo de entrada na política, e é um fato interessante que está acontecendo nesta eleição no interior do estado.”, destaca Valenciano.
Jovem, conservador, e sem passivo
“Nikolas do Paraná” no sentido do modelo é o que as pessoas apontam no decorrer da campanha. Cara nova, discurso conservador sem meio-termo e uma comunidade digital que se move sozinha. Barone é de Paranavaí, ex-vereador, e se apresenta como conservador, cristão e de direita, sem rodeio e sem o cuidado retórico de quem tenta agradar aos dois lados. Defende família, fé, liberdade e segurança. É o perfil que cresceu no Brasil pós-2018 e que, nas eleições proporcionais, passou a se eleger por intensidade, não por consenso.
O que o diferencia da leva de candidatos que tentam o mesmo caminho é uma combinação rara: cara nova, sem desgaste acumulado de mandato, e uma operação digital estruturada com disciplina de produção, com vídeos roteirizados, publicação em alta frequência e uma comunidade que responde, comenta e redistribui sem que ninguém precise pagar por isso.
“Eu sou de direita. Não escondo”, diz o candidato em um dos episódios da série que começou a publicar. “Mas essa série não é sobre esquerda e direita. É sobre um tipo de político que não é de lado nenhum. É do sistema.”
A série
A peça central da campanha é o que mais chama atenção de quem acompanha comunicação política no estado. Chama-se “A Volta do Coronelismo”, e é uma série de vídeos longos, formato que o manual convencional de campanha desaconselha, em que Barone reconstrói, documento por documento, o funcionamento daquilo que chama de velha política do Paraná.
A definição que dá nome à série é dele: “O coronel de hoje não anda de cavalo. Ele anda de terno. Ele tem escritório na capital e sobrenome no interior. Ele aparece na cidade pra entregar a obra que outro fez, tira a foto e vai embora.”
A resposta sobre se a comparação com Minas se sustenta não virá do engajamento nem do tamanho da comunidade digital que ele reuniu. Virá da urna, e ela tem um detalhe que candidaturas desse tipo conhecem bem: audiência é estadual, voto é contado por cidade. O teste real de Barone é saber quanto do público que ele construiu fora de Paranavaí se converte em voto em municípios onde ele nunca pisou.
É o mesmo teste que Nikolas Ferreira passou em 2022 e que dezenas de candidatos com bom desempenho nas redes passarão.





