A jornalista Maria Cândida abriu o jogo sobre os desafios enfrentados em sua carreira, especialmente em relação à saúde mental. Durante uma entrevista no programa "Do Bom e do Melhor", da Rádio Bandeirantes, conduzido por Danilo Gobatto, ela revisitou momentos difíceis que marcaram sua trajetória na televisão. Entre os relatos, destacou episódios severos de depressão e burnout, que ocorreram em um contexto onde esses temas não eram amplamente discutidos.
Maria Cândida relembrou o seu primeiro quadro significativo de esgotamento, que aconteceu em 2009. Na ocasião, a jornalista se viu tão debilitada que precisou de ajuda para deixar as instalações da Record e buscar atendimento médico. "O meu primeiro burnout, no fundo, acho que eu só tive esse burnout mesmo, que eu fiquei praticamente incapacitada, em 2009 e ninguém falava sobre isso, absolutamente ninguém. Eu saí do meu camarim na Record carregada e fui direto para o psiquiatra", relatou, evidenciando a gravidade da situação.
Após a saída de Maria Cândida, sua colega de trabalho, Chris Flores, assumiu o programa vespertino ao vivo. A partir desse episódio, ela enfrentou recaídas frequentes e episódios depressivos, mantendo o uso de medicação até os dias atuais. A experiência a levou a refletir sobre os desafios que muitas pessoas enfrentam em silêncio.
Além das questões de saúde mental, Maria Cândida revelou que sua trajetória de duas décadas na mídia foi abruptamente interrompida por uma crise financeira severa. Ela compartilhou que perdeu todos os recursos que havia acumulado e passou a depender do suporte familiar para necessidades básicas. "Queda financeira, fiquei sem nada, vendi tudo. Minha mãe fazia supermercado pra mim, fiquei sem dinheiro nenhum depois de 20 anos de sucesso absoluto na carreira", afirmou, ressaltando a importância de discutir abertamente essas questões.
A jornalista também mencionou a influência do histórico familiar na sua saúde mental, citando a predisposição à depressão, que afetou até mesmo sua avó. Ela revisitou sua experiência com a depressão pós-parto, descrevendo a sensação de isolamento em relação à realidade como extremamente impactante. "É uma coisa muito, muito comprometedora do seu dia a dia", analisou.
Maria Cândida acredita que expor suas dificuldades em livros, palestras e plataformas digitais serve como uma forma de apoio para aqueles que enfrentam situações semelhantes, destacando a relevância de quebrar o silêncio sobre a saúde mental. A discussão aberta sobre esses temas pode ajudar a desmistificar o sofrimento e encorajar outros a buscarem a ajuda necessária.





