Marrocos aponta desinformação e tráfico como causas da crise em Ceuta

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O governo do Marrocos se pronunciou neste domingo (2) sobre a crise migratória que resultou na travessia de dezenas de milhares de pessoas em direção aos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla. A ausência de declarações oficiais até então havia gerado críticas, com acusações de que o país não estava fazendo o suficiente para impedir a movimentação de migrantes em direção ao norte.

Em um comunicado oficial, o ministro do Interior marroquino, Abdelouafi Laftit, afirmou que a onda de travessias é impulsionada pela disseminação de informações enganosas nas redes sociais, além da atuação de redes de tráfico humano. Laftit também mencionou um mal-entendido em relação a uma decisão do Tribunal Supremo da Espanha sobre a devolução de migrantes que tentam entrar no país.

O ministro informou que aproximadamente 40 mil pessoas tentaram cruzar para Ceuta, resultando em 11 mortes durante as tentativas. Esses números são significativamente inferiores aos dados apresentados pelas autoridades espanholas, que relatam 72 vítimas fatais e pelo menos 50 mil imigrantes envolvidos na crise.

Em entrevista ao jornal espanhol El País, o presidente do governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, declarou que o necrotério local recebeu 88 corpos. Ele ressaltou que algumas dessas vítimas podem estar relacionadas a tentativas de chegada ao enclave ocorridas nas últimas semanas. Vivas ainda mencionou que as autoridades marroquinas têm realizado operações para recuperar corpos no mar, embora não haja números oficiais disponíveis sobre essas ações.

A interpretação equivocada da decisão judicial espanhola tem sido um foco de debate. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, corroborou a análise de que redes de tráfico humano teriam explorado essa distorção para encorajar as travessias. Sánchez indicou que a mensagem sobre a possibilidade de permanecer em território espanhol após a chegada por mar se espalhou rapidamente nas redes sociais.

A decisão do início de julho, que proíbe a devolução imediata de migrantes interceptados, foi citada como um fator que contribuiu para a crise. Com a pressão gerada pela chegada em massa de migrantes, diversos países europeus expressaram preocupação. Vinte e dois Estados-membros da União Europeia enviaram uma carta solicitando uma resposta coordenada para reforçar a proteção das fronteiras externas do bloco.