Operação de emergência na Espanha retira passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus

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Neste domingo, 10 de maio de 2026, a Espanha deu início à retirada dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, que enfrenta um surto de hantavírus. O navio, que está ancorado próximo à ilha de Tenerife, nas Canárias, começou a transferir seus ocupantes em pequenos barcos até o porto, onde os primeiros a desembarcar foram cidadãos espanhóis. Esses passageiros estão sendo levados sob isolamento para o aeroporto local, de onde seguirão para Madri em uma aeronave militar.

De acordo com o governo espanhol, todos os passageiros que desembarcarem do cruzeiro serão encaminhados a hospitais para cumprirem quarentena, evitando qualquer contato com a população local. Até o momento, as autoridades de saúde afirmam que nenhum dos mais de 140 passageiros e tripulantes ainda a bordo apresenta sintomas da doença.

O surto de hantavírus resultou em uma operação internacional de emergência, envolvendo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e governos de diversos países europeus. Desde o início do surto, três mortes foram registradas, incluindo um casal holandês e um cidadão alemão. A agência Associated Press relatou que pelo menos cinco passageiros que haviam desembarcado anteriormente testaram positivo para a doença, enquanto a Reuters informou que mais oito pessoas adoeceram após deixar o navio, com seis casos confirmados e dois suspeitos.

O MV Hondius partiu do sul da Argentina em 1º de abril para uma expedição pela Antártida. O primeiro caso fatal foi registrado ainda em abril, mas inicialmente foi tratado como morte natural. O alerta sanitário só foi emitido em 2 de maio após confirmação laboratorial de hantavírus em um dos passageiros.

A embarcação chegou às Canárias após um pedido da OMS e da União Europeia para que a Espanha coordenasse a retirada dos passageiros. O navio permanecerá ancorado enquanto os ocupantes deixarão a embarcação em grupos pequenos, sendo transportados por embarcações auxiliares. O Ministério da Saúde da Espanha informou que todos os passageiros são considerados contatos de alto risco por precaução, e as bagagens ficarão a bordo do navio, permitindo que os passageiros levem apenas itens essenciais, documentos e celulares.

Parte da tripulação permanecerá a bordo para conduzir a embarcação até Roterdã, na Holanda, onde o navio passará por um processo de desinfecção. O corpo de um passageiro que faleceu durante a viagem também seguirá com o cruzeiro até seu destino final. Moradores de Tenerife expressaram preocupação com a presença do navio na região, com um aposentado, Simón Vidal, de 69 anos, questionando a decisão de trazer a embarcação para as Canárias.