O crescimento populacional e a verticalização de cidades da região metropolitana têm trazido um efeito colateral esperado: o envelhecimento do estoque de edifícios construídos nas últimas duas décadas. Com isso, cresce também a necessidade de manutenção estrutural, recuperação de fachadas e impermeabilização em prédios que já não são mais novos.
Segundo profissionais do setor, o comportamento acompanha o que já acontece na capital, onde a demanda por reforma predial cresceu de forma consistente nos últimos anos, puxada principalmente por condomínios residenciais de médio e grande porte construídos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 — período de forte expansão imobiliária na região.
Um desafio adicional apontado por síndicos da região metropolitana é a distância até empresas especializadas, historicamente concentradas na capital. Isso tem levado administradoras a negociar contratos que incluam deslocamento da equipe técnica, ou a priorizar empresas que já atendam de forma regular municípios vizinhos, evitando cobranças extras por visita técnica.
Engenheiros que atuam na região destacam ainda que o custo de uma obra de reforma predial tende a ser bem menor quando feita de forma preventiva, antes que problemas como infiltração cheguem às unidades internas — o que reforça a importância de vistorias técnicas periódicas, mesmo em prédios sem sinais visíveis de desgaste.
Empresas especializadas em reforma de fachadas e prédios em Curitiba têm ampliado o atendimento para municípios vizinhos, levando o mesmo padrão técnico — diagnóstico prévio, ART e acompanhamento de engenheiro civil — para condomínios de toda a região metropolitana, sem cobrar o mesmo prêmio que empresas menores costumam praticar para atendimento fora da capital.
A tendência, segundo especialistas, é que a manutenção predial deixe de ser tratada de forma pontual e passe a integrar o planejamento anual dos condomínios em toda a região, com orçamento reservado especificamente para esse tipo de obra dentro do fundo de reserva.
Prefeituras de alguns municípios da região metropolitana também têm reforçado a fiscalização sobre a segurança estrutural de edificações mais antigas, o que tem levado administradoras a antecipar diagnósticos técnicos antes mesmo de qualquer notificação formal — uma postura preventiva que, segundo engenheiros, tende a evitar tanto riscos à segurança quanto eventuais problemas legais para o condomínio.
Um desafio adicional para municípios menores da região é a formação de mão de obra especializada localmente. Enquanto a capital já conta com equipes maiores e mais experientes em obras prediais, cidades vizinhas ainda dependem, em boa parte dos casos, de empresas sediadas em Curitiba — o que reforça a importância de contratar prestadores com estrutura para atender adequadamente também fora da capital.
Para o setor, o cenário de verticalização crescente na região metropolitana deve manter a demanda por reforma predial em alta nos próximos anos, à medida que mais empreendimentos entrem na faixa etária em que a manutenção preventiva se torna indispensável.
Universidades e institutos técnicos da região também têm ampliado a oferta de cursos voltados à manutenção predial, tanto para formação de mão de obra especializada quanto para capacitação de síndicos profissionais — uma resposta direta à demanda crescente por gestão mais técnica de condomínios, que já não se contenta apenas com a experiência administrativa tradicional exigida do cargo no passado.
Câmaras de vereadores de municípios da região metropolitana também têm discutido, em algumas audiências públicas, a criação de programas locais de incentivo à manutenção predial preventiva, inspirados em iniciativas já existentes na capital. A avaliação de especialistas é que esse tipo de política pública, ainda que incipiente, pode ajudar a acelerar a adoção de rotinas de manutenção em condomínios menores, que muitas vezes não têm fôlego financeiro para investir em diagnóstico técnico por conta própria.



