A Suécia, que se destacou como uma das nações pioneiras na digitalização de sua economia, decidiu reverter algumas de suas políticas mais recentes. A partir deste mês, supermercados e farmácias são obrigados a aceitar pagamentos em dinheiro, uma prática que havia diminuído consideravelmente nos últimos anos. O aviso "não aceitamos dinheiro em espécie" tornou-se comum entre os estabelecimentos suecos, refletindo o crescimento do uso de cartões e métodos digitais. Em 2022, uma pesquisa indicou que apenas 5% dos entrevistados utilizavam dinheiro para suas últimas compras.
A mudança de postura do governo se deve a preocupações com a inclusão de idosos e pessoas com deficiência, que podem ter dificuldade em lidar com tecnologias digitais. Além disso, há um enfoque em preparar o país para possíveis crises. O aumento das ameaças cibernéticas e as falhas de energia, especialmente após o início do conflito na Ucrânia, intensificaram essas preocupações.
Para o Banco Central sueco, manter a circulação de dinheiro vivo é uma questão de segurança nacional, visto que essa forma de pagamento ainda é viável em situações em que a internet ou a eletricidade falham. A história recente reforça essa argumentação: em 2021, um ataque cibernético afetou cerca de 800 filiais de uma rede de supermercados que dependia exclusivamente de pagamentos digitais.
Como parte dessa nova abordagem, as autoridades recomendam que cada adulto mantenha em casa mil coroas suecas, o que corresponde a aproximadamente 90 euros ou mais de R$ 500. Essa quantia é considerada suficiente para cobrir necessidades básicas, como alimentação e medicamentos, em situações de emergência. No entanto, muitos suecos não utilizam dinheiro em espécie há anos, o que pode dificultar a adesão a essa recomendação.
Vale ressaltar que essa decisão não representa um retorno completo ao uso de dinheiro. A Suécia continua sendo um dos países com menor dependência de pagamento em espécie no mundo. Além disso, ainda não existem diretrizes claras sobre como a nova regra será fiscalizada ou sancionada. A mensagem transmitida com essa nova lei é fundamental: a população deve ter uma alternativa segura caso a tecnologia falhe.





