A partir desta sexta-feira, 1º de junho, a uva brasileira passa a ter tarifa de importação zerada para o mercado da União Europeia. Essa decisão representa o início da vigência provisória da fase comercial do Acordo União Europeia–Mercosul, o que proporciona uma nova oportunidade para a fruticultura nacional em um dos mercados mais estratégicos do mundo.
O Acordo União Europeia–Mercosul envolve um tratado de livre comércio entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e os 27 países do bloco europeu. O principal objetivo dessa iniciativa é facilitar a troca comercial e aumentar os investimentos entre as partes. Apesar de a atual vigência ser provisória, já permite que benefícios como a redução das tarifas sejam aplicados enquanto o texto aguarda a aprovação definitiva nos parlamentos europeus.
Com a nova fase do acordo, espera-se a eliminação gradual de tarifas para aproximadamente 93% dos produtos exportados pelo Mercosul para a Europa em um período de até dez anos. Neste primeiro momento, cerca de 39% dos produtos agropecuários brasileiros terão tarifas zeradas, com foco em categorias onde o Brasil detém uma forte presença internacional, como a uva.
Em 2025, a expectativa é que os embarques de uva do Brasil atinjam mais de 62 mil toneladas, o que representa um crescimento de 5,62% em relação a 2024, resultando em um faturamento estimado em US$ 158,7 milhões. O estado de Pernambuco lidera a produção nacional, com 755,2 mil toneladas, o que corresponde a 41,5% do total do país, consolidando a importância do Vale do São Francisco na fruticultura. O Rio Grande do Sul segue como o segundo maior produtor, com 686,6 mil toneladas, atendendo tanto o mercado in natura quanto a indústria de vinhos e sucos.
Eduardo Brandão, diretor executivo da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), comentou que a retirada das tarifas aumenta a competitividade do Brasil frente a outros exportadores globais. Ele destacou que o país já é reconhecido pela qualidade e regularidade de sua produção, e que essa é uma oportunidade concreta para agregar valor a toda a cadeia produtiva.
O executivo também mencionou que os consumidores europeus estão cada vez mais atentos à origem dos alimentos e às práticas ambientais. "O Brasil está preparado para atender essa demanda e seguir avançando", afirmou Brandão. Os principais destinos da uva brasileira na Europa incluem os Países Baixos, Reino Unido e Espanha, que também atuam como plataformas logísticas para redistribuição a outros mercados da região.





