Moro assume Governo do Paraná com desafio de negociar com Assembleia Legislativa

Compartilhe

A eleição de Sergio Moro para o Governo do Paraná teve menos destaque porque Luiz Inácio Lula da Silva recuperou a Presidência da República. Ainda assim, Moro assume com a promessa de revisar ações da gestão de Ratinho Junior e enfrenta um cenário político que exigirá negociação com a Assembleia Legislativa.

As primeiras equipes de transição já sinalizaram austeridade e revisão de promessas feitas pelo governo atual. Moro terá de comprovar eventuais acusações de obras fictícias ou compromissos sem cobertura financeira, o que, segundo análise, demanda documentos e não apenas discursos. O governador eleito também precisará administrar as consequências de cada declaração, já que Ratinho Junior e parte do secretariado não dependem da política para seguir suas atividades.

Na Assembleia Legislativa, Moro poderá até formar uma base numericamente expressiva, mas quantidade de deputados não garante fidelidade. O PSD manterá seus interesses, outras legendas preservarão agendas próprias e a oposição, incluindo o PT, terá motivos para fiscalizar o novo governo. O desafio será conversar, ceder e negociar, algo que, conforme a avaliação, não parece ser o perfil do governador eleito.

A importação de dois nomes para o secretariado, um do Rio Grande do Sul e outro de Goiás, já provoca questionamentos nos meios políticos e técnicos, especialmente nas áreas de educação e economia. Para interlocutores, governar o Paraná exige conhecer suas particularidades regionais e construir pontes com quem vive a realidade local.

Moro terá legitimidade eleitoral, mas precisará conquistar diariamente a legitimidade política para governar. O eleitor, após a posse, cobrará resultados concretos, como escolas funcionando, hospitais atendendo e estradas conservadas, e não apenas embates com o governo anterior.