Avanços na inteligência artificial exigem redefinição nas empresas

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A inteligência artificial corporativa está passando por uma transformação significativa. Com a evolução dos modelos preditivos e a popularização da IA generativa, novos agentes de IA começam a ter acesso a dados, sistemas e ferramentas, permitindo que executem etapas de processos empresariais. Uma pesquisa global da McKinsey revelou que 62% das empresas consultadas já estavam experimentando agentes de IA em 2025, embora apenas 23% estivessem ampliando sistemas agênticos. Isso indica que o avanço da tecnologia ocorre mais rapidamente do que a capacidade das organizações de integrá-la e supervisioná-la.

Nos últimos anos, as empresas aprenderam a utilizar a inteligência artificial para diversas tarefas, como a redação de textos, a produção de resumos e a análise de informações. Neste contexto, a tecnologia tem atuado principalmente como assistente: o usuário solicita uma atividade, recebe uma resposta e decide como prosseguir. Com a introdução dos agentes de IA, essa dinâmica muda. Esses sistemas não apenas respondem, mas recebem objetivos, interpretam contextos, dividem tarefas, consultam dados, selecionam ferramentas e executam ações, além de solicitar intervenção humana quando necessário.

A inovação vai além da capacidade técnica dos modelos de inteligência artificial; ela reside na combinação do raciocínio, acesso a sistemas e a habilidade de execução. Vinícius Reis, CTO da StaryaAI, destaca que essa distinção é crucial para diferenciar um agente de IA real de um chatbot que apenas ganhou uma nova denominação. "Um agente verdadeiro opera com base em três fundamentos: objetivo, contexto e ferramentas. Ele não se limita a responder. Interpreta a situação, consulta dados, acessa sistemas, decide o próximo passo e executa ações dentro de limites estabelecidos. Se a tecnologia apenas conversa ou orienta o usuário, permanece próxima de um chatbot", explica Reis.

Os dados demonstram que a IA agêntica já está presente nas organizações. Contudo, à medida que as empresas ampliam seu uso, é fundamental que definam não apenas as funções da inteligência artificial, mas também quais tarefas podem ser realizadas sem a necessidade de consulta a um humano. Essa linha entre automação e tomada de decisão humana pode variar conforme o impacto financeiro, a sensibilidade das informações, a possibilidade de reversão, as exigências regulatórias e as consequências para clientes e funcionários.

Para Vinícius Reis, essa discussão será essencial para o futuro da inteligência artificial nas empresas. "A tecnologia já é capaz de avançar em etapas de um processo e executar ações em sistemas reais. O desafio agora é organizacional: estabelecer autonomia, responsabilidade, indicadores e mecanismos de controle. As empresas que apenas considerarem os agentes como chatbots mais sofisticados provavelmente aproveitarão apenas uma fração do potencial da tecnologia. Já aquelas que redesenharem seus processos com governança estarão mais bem preparadas para transformar a IA em uma capacidade operacional eficaz", conclui Reis.