Projeto propõe mudanças na Fundação de Ação Social de Curitiba

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Um projeto de lei apresentado por João Bettega, do PL, está gerando discussões na Câmara de Curitiba ao propor que a Fundação de Ação Social (FAS) passe a atuar como um braço da polícia. A iniciativa sugere o cadastramento de pessoas em situação de rua, com o intuito de interligá-las à Justiça, o que poderia desviar a FAS de sua função original e causar resistência entre os funcionários que se opõem a essa nova abordagem.

A vereadora Tathiana Guzzola, também do PL, manifestou preocupações sobre as implicações do projeto. Ela destacou que, ao identificar moradores de rua com problemas judiciais, a proposta mudaria drasticamente o papel da FAS. Guzzola alertou para os possíveis conflitos que podem surgir, especialmente entre os empregados da instituição, que poderiam se recusar a desempenhar essa função policial.

O debate em torno dessa proposta evidencia a tensão entre as funções sociais da FAS e a ideia de vinculá-la a atividades de segurança pública. Críticos do projeto argumentam que a Fundação deve se concentrar no atendimento social sem condicionamentos, defendendo que a ação social não deve ser associada a um órgão de repressão.

A proposta vem recebendo apoio de alguns parlamentares de direita, que veem a necessidade de uma abordagem mais rigorosa em relação à situação das pessoas em situação de rua. Contudo, a resistência de outros vereadores e dos trabalhadores da FAS pode dificultar a aprovação do projeto na Câmara de Curitiba.

A discussão em torno do projeto de lei reflete um dilema maior sobre como as políticas públicas devem ser estruturadas para atender às necessidades das populações vulneráveis, sem comprometer os princípios de dignidade e respeito que devem orientar a ação social. O futuro da FAS e seu papel na sociedade curitibana estão agora em pauta, com implicações que podem afetar diretamente a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos mais necessitados.